De repente regressaram-me as flores,
fora de época, com demasiada água nos caules,
num bailado de pétalas desenhadas pelo vento,
no chão de poeira.
em todo este jardim de espécies exóticas,
ascende agora na orla carnuda de cactos,
uma morte intensamente perfumada.
Vou cavando até que a raiz nua,
se revele no peito.
De novo as flores me afloram à boca,
Absolutamente carnívoras.
Flores pontuando a pele como pápulas,
papoulas acidentais,
flores azuis, orquídeas nos meus campos
noctívagos.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
CENA 15
quando o coração manchado
a tinta de esmalte
pulou a um ritmo incerto
galgou o passeio
como qualquer peão.
quando deu entrada no hospício
não tirou os olhos do decote
da enfermeira
na enfermaria
escutava compulsivamente
free-jazz
e balbuciava palavras sem sentido:
kerouac, baudelaire, ezra...
mais tarde foi-lhe diagnosticado
um poemário no cérebro
um dia resolveu ser incendiário,
a partir dessa altura anda sempre
com uma árvore dentro do bolso.
a tinta de esmalte
pulou a um ritmo incerto
galgou o passeio
como qualquer peão.
quando deu entrada no hospício
não tirou os olhos do decote
da enfermeira
na enfermaria
escutava compulsivamente
free-jazz
e balbuciava palavras sem sentido:
kerouac, baudelaire, ezra...
mais tarde foi-lhe diagnosticado
um poemário no cérebro
um dia resolveu ser incendiário,
a partir dessa altura anda sempre
com uma árvore dentro do bolso.
terça-feira, 18 de maio de 2010
CENA 3
Jack no centro da cidade,
empilhando caixas de whisky
contando os dias na parede
escrevendo versos
com as últimas gotas de sangue.
Viajamos com o indispensável:
caneta, papel, o pó dos dias,
um fato para o bailado final.
Mais um copo, até deixar
de sentir os contornos da noite,
manchas de carvão nos dedos.
Uma cama redonda
de sangue virginal,
arredondar a manhã
nos teus mamilos.
empilhando caixas de whisky
contando os dias na parede
escrevendo versos
com as últimas gotas de sangue.
Viajamos com o indispensável:
caneta, papel, o pó dos dias,
um fato para o bailado final.
Mais um copo, até deixar
de sentir os contornos da noite,
manchas de carvão nos dedos.
Uma cama redonda
de sangue virginal,
arredondar a manhã
nos teus mamilos.
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