"O rio alarga no seu estuário, recortado pelos arcos metálicos pujantes, da ponte ferroviária que o cruza de nascente para poente, ambiente esse traduzido pelas palavras dum poeta:
Hoje sentei-me na moldura do arade,
e vi a massa aquosa que deslizava
como um espelho ondulado
E é aqui, nesta geografia de águas largas que tudo se passa a partir de 1969
Voltando a Ferragudo, haveria de habitar com meus pais e irmãos uma casa à entrada do povoado piscatório, debruçada sobre um braço do Arade que me oferecia o cenário de Janela indiscreta sobre a povoação, assente na base do rio, com a ponte rude e rasteira de arcos quadrangulares como o largo que que se anuncia no fim da descida. O cais e a beira-rio com os barcos de pesca, montando a partir daí, uma profusão de escadarias, rampas e ruas íngremes que culminarão no topo do casario, na Igreja Matriz, debruçada sobre o estuário do Arade, observando a fortaleza de Santa Catarina, na margem oposta do rio.
Deste lugar dominante a vista inicia a sua navegação oceânica de largos horizontes.
É pois esta imagem nostálgica de uma povoação compacta, bem estruturada nas ruas e rampas, subindo sempre com paredes alvas, um casario cúbico como uma pintura de Maluda..."
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Arte poética
Há poemas que não digo,
que não escrevo em vão,
há palavras nas telas,
na pintura de versos,
a carvão.
que não escrevo em vão,
há palavras nas telas,
na pintura de versos,
a carvão.
COM OS OUVIDOS POSTOS EM VALADO DE FRADES
quando a alma vagabunda despe-se prostituta
inebriada num balanço nocturno
quando as cordas cortam o frio
e posam nuas na margem
um vapor rasga a vidraça
café negro cais abandonado,
mais um copo de gelo afogado.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Música séria
já aqui não pernoitas nem falas comigo
nem és o imperceptível frémito de asas sobre o papel
Al Berto
selada a boca de mármore
uma lápide encerras,
na língua escurecida pelo vento
um verme vestindo asas
vou raspando os troncos
com um canivete de fel
um pequeno barco,
que pouso na lâmina lacustre,
lacerada.
há livros na boca da noite
emudecidos na tua boca
e tantas cartas queimadas
tolhendo a ligadura das mãos
e há pássaros redondos,
debicando sonhos,
comendo pão.
nem és o imperceptível frémito de asas sobre o papel
Al Berto
selada a boca de mármore
uma lápide encerras,
na língua escurecida pelo vento
um verme vestindo asas
vou raspando os troncos
com um canivete de fel
um pequeno barco,
que pouso na lâmina lacustre,
lacerada.
há livros na boca da noite
emudecidos na tua boca
e tantas cartas queimadas
tolhendo a ligadura das mãos
e há pássaros redondos,
debicando sonhos,
comendo pão.
Subscrever:
Mensagens (Atom)