Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PALAVRAS

Depois de mim ficarão
as palavras,
suspensas no nevoeiro
...da voz, no centro
incerto do papel,
meu amigo, amiga,
amante ocasional,
acidentados versos,
permanecerão
na página amarelada
do jornal.

ficará talvez,
impressa a memória
de cidades, mapa
de ferros retorcidos,
ficará um nome,
depois da raiz,
da linguagem.

domingo, 30 de janeiro de 2011

DESIRE

A fome, o desamor, o deasabrigo,
nenhum mal é comparável à miséria
dum emprego, com as horas escoltadas
por minutos, os minutos como lápis
afiados, rasurando dia a dia
o animoso galarim das faculdades.

A questão, uma vez mais, é recusar;
desde logo, a protecção dos que traficam
com a liberdade alheia, o conforto
de servir os mediáticos negreiros,
cuja sorte se cimenta no apelo
que dirigem ao pior de cada um.

Pois aquilo a que chamais a liberdade
a coleira do consumo para muitos,
para poucos a gestão do entreposto)
não é mais do que extorsão e propaganda,
centenária manobra de fidalgos
educados no prazer da injustiça.


in Walkmen, José Miguel Silva e Manuel de Freitas, 2007

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MÃE

...
Mãe eles escrevem poemas.
Oh,
mãe, quanto
chão do mais estranho dá o teu fruto!
Dá esse fruto e alimenta
os que matam!

Mãe, estou
perdido.
Mãe, estamos
perdidos

...

in A Morte é uma flor, Paul Celan, Ed. Cotovia, 1998