A companhia aérea lamenta a falta de ar. Logo que possível será reestabelecido o tráfego aéreo.
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Poema
Quem vai do Porto para Leça ao
longo da auto-estrada (divisando
os navios sobre o porto de Leixões)
no fim da ponte à direita vira
para o centro hípico
(serpenteando a avenida tendo
por bombordo o cais)
adiante vê o forte da Senhora das Neve
salguns cem metros à frente começa
a marginal. Daí já se vê o farol
para lá dos prédios brancos
não é difícil achar lugar para estacionar.
Toca no sexto direito. Estou
sempre por aqui. Ou senão
não venhas hoje.
Faz como te apetecer.
João Luís Barreto Guimarães
in "A Parte pelo Todo" (2009)
longo da auto-estrada (divisando
os navios sobre o porto de Leixões)
no fim da ponte à direita vira
para o centro hípico
(serpenteando a avenida tendo
por bombordo o cais)
adiante vê o forte da Senhora das Neve
salguns cem metros à frente começa
a marginal. Daí já se vê o farol
para lá dos prédios brancos
não é difícil achar lugar para estacionar.
Toca no sexto direito. Estou
sempre por aqui. Ou senão
não venhas hoje.
Faz como te apetecer.
João Luís Barreto Guimarães
in "A Parte pelo Todo" (2009)
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João L. Barreto Guimarães,
poema
POESIA INSUFLÁVEL (bóia não identificada)
Tentava prosseguir um caminho poético relevante,
mas havia sempre alguma ave que se intrometia
e eu, como captor eólico, ceifava, ceifava
vidas inocentes no exercício ético da palavra.
Nesses instantes de profunda criação era como se
uma cidade se interrompesse, uma rua desaguando
no beco, uma calçada incompleta, um monte de terra
resvalando em verso inclinado, no topo margaridas.
Depois havia sempre (a interromper o poema)
O som da onda, a duna ventosa entrando na casa
do poema, e os outros poetas, ora entrando ora
saindo, como vagabundos à deriva, sem código postal.
Setembro 2011
8
Esse verão a cada momento esqueço havia esse
verão esse tempo atravessado por corpos nunca por
nome tidos esses corpos que fazem vir as lágrimas
os livros gamados por esse Chiado abaixo!
Chatices da sensibilidade! Como lhe hei-de
dizer a esse estudantinho de veterinária
a esse verão repetido deus nos guarde!
Deus deus ou quem cá anda nesse rosto mais de
corpo que de rosto nesses olhos que troco há tantos
anos sob o duque da Terceira, já não sei se é terceira
se é Saldanha, mas é duque! diz a Rita cobrindo a
mesa, das antigas, de mármore!, cobrindo a mesa de
fotografias. Ao lado o João, eu não, o outro, esse, o
dos livros gamados Chiado acima Portugal, Sá da Costa
no meio fica a Bertrand.
Bebendo ginja Cais do Sodré a tarde toda!
João Miguel Fernandes Jorge
in Actus Tragicus, ed. Presença, 1979
verão esse tempo atravessado por corpos nunca por
nome tidos esses corpos que fazem vir as lágrimas
os livros gamados por esse Chiado abaixo!
Chatices da sensibilidade! Como lhe hei-de
dizer a esse estudantinho de veterinária
a esse verão repetido deus nos guarde!
Deus deus ou quem cá anda nesse rosto mais de
corpo que de rosto nesses olhos que troco há tantos
anos sob o duque da Terceira, já não sei se é terceira
se é Saldanha, mas é duque! diz a Rita cobrindo a
mesa, das antigas, de mármore!, cobrindo a mesa de
fotografias. Ao lado o João, eu não, o outro, esse, o
dos livros gamados Chiado acima Portugal, Sá da Costa
no meio fica a Bertrand.
Bebendo ginja Cais do Sodré a tarde toda!
João Miguel Fernandes Jorge
in Actus Tragicus, ed. Presença, 1979
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João Miguel Fernandes Jorge,
Poemas
POESIA INSUFLÁVEL (não organizada)
(Bóia sétima)
À hora do lanche a rapariga da estação de serviço
empanturrava-se com ar comprimido.
À hora do lanche a rapariga da estação de serviço
empanturrava-se com ar comprimido.
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Poesia insuflável
sábado, 27 de agosto de 2011
(...)
Quando a literatura vier,
estarei velho,
debaixo das pequenas papoilas,
pelos campos,
perdido como sempre,
ao longo do carreiro incerto,
desembocando na falésia,
Como eu gostava de desnudar
o corpo de encontro às rochas
e como elas pareciam minhas
confidentes.
Às vezes, um barco esperava-me
no fundo da falésia,
de tão solitário,
atado às ondas,
ao brilho intenso
que se desprendia
dos cabelos.
Era ainda menino,
nesse tempo de onda lisa
onde agora a falésia
esfarela a errância.
estarei velho,
debaixo das pequenas papoilas,
pelos campos,
perdido como sempre,
ao longo do carreiro incerto,
desembocando na falésia,
Como eu gostava de desnudar
o corpo de encontro às rochas
e como elas pareciam minhas
confidentes.
Às vezes, um barco esperava-me
no fundo da falésia,
de tão solitário,
atado às ondas,
ao brilho intenso
que se desprendia
dos cabelos.
Era ainda menino,
nesse tempo de onda lisa
onde agora a falésia
esfarela a errância.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
OBSERVADOR DE CÉUS
Quando o azul alastra,
abrindo os braços de espuma,
quando uma gota minúscula
é tomada pelo azul letal,
daí pode resultar a grande
observação dos pássaros:
o voo completo dos oceanos.
O observador de céus caminha,
só,
em cada baía,
quando o sol arde,
e o mar se recobre de palavras,
lentas, húmidas,
na torrente do poema.
Alvor, 2011
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